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domingo, 20 de abril de 2008

Chega de Saudade...


“Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela não pode ser...”

Chega de Saudade é um filme assim, cheio de saudades, de melancolia, de solidão, de dores, de espera mas também repleto de sorrisos, de amores, de desejos e de felicidade. Não é um filme simples, é fácil, mas não simples. Digo isso porque:

• Quem gosta de filmes com finais claros onde os personagens tem suas histórias resolvidas e definidas, não vai gostar de Chega de Saudade. Seus personagens seguem no tempo, terminam com a vida em aberto onde o rumo pode ser o mais variado possível, como na vida real, onde nunca sabemos realmente o que nos aguarda. Os personagena avançam na história do mesmo modo que nós avançamos na nossa vida, naturalmente.

• Quem gosta de ouvir diálogos e só entende um filme através da troca de palavras e frases entre personagens, também não vai gostar de Chega de Saudade. Nele os grandes diálogos são feitos pelos gestos, pelos olhares, pelo som, pelas cores. É um filme onde não precisamos dizer, por exemplo, que a personagem de Tônia Carrero sofre de Alzheimer, isso esta descrito nos gestos e olhares entre ela e seu marido. Gestos e olhares estes que fazem com que suas histórias, assim como a de todos os personagens toquem mais a gente. Quem não entender diálogos que não são feitos por palavras, não vai entender, nem gostar de Chega de Saudade.

• Quem gosta de grandes cenários, variedade de locações, também não vai gostar de Chega de Saudade. O filme se passa em um único lugar, que não é grande, mas é perfeito. É um personagem a parte neste filme.


“Diz-lhe numa prece que ela regresse
porque eu não posso mais sofrer...”

Vai gostar de Chega de Saudade, quem gosta de histórias de vidas reais. Quem gosta de se emocionar, quem gosta de amores e de dores, quem gosta de bons personagens, de bom texto — mesmo quase sem diálogos — e quem entenda que, para isso, precisamos ver com outros olhos e ouvir não apenas com os ouvidos.



Chega de Saudade foi o filme escolhido no nosso 9º CINESURPRESA e, como vocês já devem ter percebido, eu amei o fime. Mas vamos ao nosso encontro.

Desta vez, também tivemos um número maior de gente nova. Estávamos em 15 pessoas e destas participaram pela primeira vez: Amanda Pereira, Breno Silva, Marilda Canelas, Rafaela Rodrigues, Ricardo Prado, Rodrigo Azevedo, Sandoval Abrantes, Solange Figueira, Vinícius Vianna e da turma antiga: Daniel Ravanelli, Daniel Trigo, Eduardo Ricci, Madeleine Alves, Márcia Okida (eu) e Ricardo Reis.

A nota média dada pelo grupo para Chega de Saudade foi 7,8 colocando o filme em 4º lugar no nosso Ranking. Das 15 pessoas que assistiram apenas 2 não gostaram e 9 veriam o filme novamente — eu então quero até comprar e o original para mim :)

“Chega de saudade a realidade é quem
sem ela não há paz não há beleza...”


Começamos a perguntar em nossos encontros sobre que cor que representa o clima do filme. Para Chega de Saudade a cor mais citada foi a vermelha seguida de amarelo âmbar. Uma pessoa citou verde e outra o bege. Para mim Chega de Saudade tem a cor da saudade do passado, da nostalgia, ou seja: violeta.


O melhor e pior do filme para nossos participantes


O MELHOR

Amanda: trilha sonora • Breno: as músicas • Daniel Ravanelli: a vida como ela é • Daniel Trigo: como contar histórias de várias pessoas em uma só história • Eduardo: saudades e amores... a condição humana • Madeleine: a trilha sonora (fundamental para o filme), os primeiros planos, as luzes e cores quentes • Marilda: o filme escancara as rugas e a solidão humana • Rafaela: o diálogo • Ricardo Prado: a fotografia • Ricardo Reis: o filme todo • Rodrigo: Cássia Kiss • Sandoval: música e mulheres • Solange: a tristeza de Cássia Kiss vendo sua paixão declamando “carinhoso” para outra • Vinícius: as músicas

“é só tristeza e a melancolia
que não sai de mim, não sai de mim, não sai...”


O PIOR

Amanda:
nada • Breno, Daniel Trigo, Rafaela e Vinícius: tudo se passar em um ambiente • Daniel Ravanelli: pouco dramático • Eduardo: preconceito • Madeleine: quase descritivo, o filme poderia aprofundar as reflexões de alguns personagens • Marilda: o botox da Elza Soares • Ricardo Prado: falta profundidade às histórias • Ricardo Reis: Paulo Vilhena • Rodrigo: poucas músicas de Lupcínio Rodrigues • Sandoval: se liga mané • Solange: a primeira cena de Tônia Carrero saindo do carro.

“mas se ela voltar, se ela voltar,
que coisa linda, que coisa louca...”


Para mim, não existe pior em Chega de Saudade. Talvez pudesse falar do Paulo Vilhena que é um ator médio de atuação média. Talvez pudesse falar de detalhes que não fazem parte do roteiro. Mas nada disso seria realmente algo de ruim no filme.
Na minha opinião o filme é perfeito. A minha nota foi 10 e não teria nenhuma consideração negativa a fazer.

A direção de arte e fotografia nos transportam perfeitamente para o clima e sensação de um salão de baile. O filme com textura granulada, ajuda na atmosfera que mistura melancolia, solidão e paixão... parece que estes sentimentos pairam no ar e nos olhares de cada personagem. As cores e luzes são próprias destes ambiente e tem seus tons reforçados pelos detalhes, pelos figurinos, pelas nuances dos rostos maquiados e pela iluminação que embala cada ritmo. Quem já foi em um salão de baile deste tipo, dança de salão, sabe do que estou falando quem não foi, sente perfeitamente como ele é.

“pois há menos peixinhos a nadar no mar,
do que beijinhos que darei na sua boca...”




O recorte da luz vale um olhar atento juntamente com a mudança de cada ritmo, de cada trilha sonora, onde as músicas não interagem apenas com os corpos que bailam, mas cada música conversa com os olhares, gestos, cores e formas de cada cena mostrada.
A trilha sonora é perfeita, passa por diversas épocas, estilos, tendências como tango, bolero, forró, gafieira, samba, valsa e tantos outros clássicos de salão de baile como Carinhoso, Risque, Alguém Me Disse etc (você pode ouvir todas as músicas do filme na nossa coluna a esquerda). E o filme termina com um arranjo belíssimo de Chega de Saudade ao melhor estilo do choro. Não tem como não querer comprar a trilha do filme.

“dentro dos meus braços,
os abraços hão de ser milhões de abraços...”


Ser em um local apenas, faz com que tudo se torne mais real, mais próximo de nós. Todos vivem no mesmo mundo e partilham da mesma história. Não dá para achar algo de ruim em um filme destes, dá? Dá para querer que ele seja diferente mas, quando vemos um filme, devemos entender a proposta para que ele foi feito e assistí-lo com o olhar preparado para isso. E toda a proposta de filmagem de Chega de Saudade fala do motivo e do porque foi feito:

• Para falar com você através de diálogos feitos pelo som, gestos, corpos e olhares.
• Para entrelaçar cada história contada, mostrando os problemas, desejos angústias e amores
• Para mostrar como podemos viver e partilhar os mesmos problemas
• Que todos amam, sofrem e desejam, não importando a época em que se vive ou a idade que temos.
• Mostra que o inesperado sempre existe e que mudar o rumo de nossas vidas é sempre possível
• E como diz no final do filme: sempre haverá um outro dia e tudo pode recomeçar.

“apertado assim, calado assim,
colado assim abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim...”


Também fazemos a seguinte pergunta em nossos encontros: Com qual personagem você se identificou e por que?

Amanda: Elza (Betty Faria) e Marici (Cássia Kiss) pois mostram a tentativa de sorrir, mesmo que não estejam felizes, o sorriso como máscara • Breno, Daniel Trigo e Vinícius: Marquinho (Paulo Vilhena) porque eu também não gostaria de ver outro homem paquerando a minha namorada, teriam a mesma reação que ele • Daniel Ravanelli: Bel (Maria Flor) • Eduardo: Ernesto (Luiz Serra) é vivo e busca sempre um novo amor • Madeleine, Rodrigo: com nenhum • Marilda: Marici (Cássia Kiss) Talvez pela análise do ponto de vista feminino sobre os homens • Rafaela: Alice (Tônia Carrero) por as vezes ter medo de expor meus sentimentos • Ricardo Prado: Álvaro (Leonardo Villar) porque que é um dos mais humanizados e que mais “progride” • Ricardo Reis: com todos, são fragmentos de vida, emoções e esperanças • Sandoval: com Eudes (Stepan Nercessian) • Solange: Elza (Betty Faria) querendo dançar e não ser convidada



Também pedimos uma frase sobre o filme para cada um

Amanda: fala de um único sentimento quer liga todos os personagens: a solidão disfarçada de alegria
Breno: Não confie sua namorada a homem nenhum, nem mesmo para seu próprio avô
Daniel Ravanelli: sem preconceito
Daniel Trigo: A vida pode ser resumida em poucos minutos
Eduardo: Antes vivo do que morto
Madeleine: Choques catalizadores em uma pista de dança
Marilda: A reflexão sobre a solidão da velhice e o desejo de encontrar o par perfeito
Rafaela: “Só anote o que for importante”
Ricardo Reis: Viver é a melhor motivação para se estar vivo
Rodrigo: “Você não vale nada mais eu gosto de você”
Sandoval: Recordação
Solange: Envolvente
Vinícius: Aproveite sua vida ao máximo

“que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim...”

Bem eu... eu me identifiquei com a personagem Rita, Clarisse Abujamra, mas não pelo fato dela deixar o marido em casa para ir ao baile e lá, traí-lo com outro, não me confundam ok! Mas pelo fato de ser a personagem responsável pelas cenas mais eróticas e sensuais do filme, que também são minhas cenas favoritas: o momento em que ela dança tango — muitos que me conhecem sabem o quanto amo essa dança e ritmo — e logo depois, quando termina a dança, o erotismo e sensualidade causados por esse ritmo são tão fortes que ela se tranca no banheiro e se masturba em uma cena belíssima onde beija eroticamente o azulejo da parede. Logo mais a frente ela e seu homem, do baile, são os responsáveis por uma suave cena de sexo sentados na cadeira da mesa onde estão... sensualidade e erotismo puros. Gosto disso.
Quanto a frase, para mim é simples a minha frase é: Chega de Saudade...
Já diz tudo, explica tudo.

“Não quero esse negócio de você viver assim...”

Também pedimos para que cada um fale qual foi a sua cena favorita, a minha acabei de contar acima:

Amanda: A expressão de tristeza de Elza, Betty Faria, chora demonstrando seu desespero depois das tentativas, frustradas, de não se sentir só.
Breno: Marquinho seguindo o homem que paquerou sua namorada
Daniel Ravanelli: A poesia do final
Daniel Trigo: Beijo no Azulejo da personagem Rita, Clarisse Abujamra.
Eduardo: Cena com a música “Não Deixe o Samba Morrer”
Madeleine: a cena do tango
Marilda: A expressão de tristeza do personagem depois que a perua rica Rita, Clarisse Abujamra, vai embora
Rafaela: Ezla, Betty Faria, chorando
Ricardo Prado: Quando seu Álvaro, Leonardo Villar, “vê” a falecida mulher
Ricardo Reis: A cena final, quando o baile termina, para abrir na noite seguinte.
Rodrigo: A dança final entre Álvaro, Leonardo Villar, e Alice, Tônia Carrero.
Sandoval: Uma cantada
Solange: A chocante cena de Elza, Betty Faria, roubando um beijo do rapaz que pagou por dançar
Vinícius: Os pés das pessoas dançando


“Não posso mais com esse negócio de você viver sem... mim!”

E assim termina Chega de Saudade deixando um clima de quero mais e com muita vontade de ouvir música boa — que vale lembrar você pode ouvir toda a trilha no nosso menu ao lado esquerdo — pelo menos para mim! Ah! quero deixar registrada a passagem do Bar, Alexandre Barbosa, no nosso encontro depois do filme, apenas passando para comprar churros.

Vale uma passagem pelo site oficial de Chega de Saudade que é tão bom quanto o filme e tem uma área onde posemos enviar um Correio Elegante e deixei um recado para todos vocês que participem ou nos lêem. Entrem no site e cliquem no link Correio Elegante ou cliquem aqui direto e onde diz procurar coloquem a palavra Surpresa e pronto encontrarão seu recado! Aproveitem e mande um Correio Elegante para alguém... entrem no clima!

Aproveitem para ler a entrevista com o Diretor de Fotografia Walter Carvalho, vale a pena, assim como tantos outros materiais do filme. Abaixo um vídeo do Chega de saudade para vocês.




Espero seus palpites opiniões e sua presença no nosso próximo encontro que será dia 11 de maio, como sempre o segundo domingo no mês de maio, desta vez no Espaço Unibanco as 18h para nosso 10º encontro. Até lá.


quarta-feira, 9 de abril de 2008

9º Encontro


Nosso 9º encontro do Cinesurpresa será neste domingo, dia 13 de abril, desta vez no Cinemark de Santos, no Shopping Praimar.
Então se você ainda não foi esta é a chance, as 18h em ponto estaremos esperando por vc!

segunda-feira, 24 de março de 2008

JOGOS DO PODER


Chegamos ao nosso 8º CINESURPRESA, e logo logo completaremos 1 ano e, com certeza, teremos surpresas nesse primeiro aniversário que, lógico, você não poderá perder. Portanto já anote e fique na espera: será no dia 10 de agosto de 2008. Bem, por enquanto vamos falar do nosso 8º encontro que foi pela primeira vez no Cine Roxy e depois fomos comer uma pizza, uma massa ou simplesmente tomar uma água, na Cantina Liliana que será nosso ponto de encontro sempre que estivermos no Cine Roxy. Para você que acompanha e participa sempre com a gente fique por dentro: agora o CINESURPRESA acontece uma edição (mês) em cada uma das seguintes salas de cinema:

• Cinemark: abril, julho, outubro
• Espaço Unibanco: maio, agosto, novembro
• Cine Roxy: junho, setembro, dezembro

Sempre as 18h em frente a estes locais, ok! Agora não tem mais como você falar que não sabe aonde estaremos. Desta vez o filme surpresa foi Jogos do Poder (a votação foi entre ele, 1000 anos AC e Rocky) e, neste encontro a maioria das pessoas eram novas, participavam pela primeira vez e muitos dos nossos participantes constantes não puderem estar com a gente como: Fabio Machado, Letícia e Eddie.

Mas antes de falar quem eram os participantes, gostaria de reforçar aqui a proposta do CINESURPRESA, faço isso porque desta vez, e pela primeira vez, uma pessoa falou que não queria que sua opinião fosse divulgada. Bem, a proposta dos nossos encontros está justamente na discussão, bate-papo, entre pessoas diferentes, com olhares distintos sobre um mesmo tema, filme, com o objetivo de trocar informações e mostrar, para todos que lêem nosso blog e gostam de cinema, que todo e qualquer gênero de filme está apto a ser visto e debatido. Todas as opiniões são sempre aceitas de bem vindas, independente do gosto pessoal de cada um dos participantes. Portanto assistir um filme sem deixar sua opinião, ou sem deixar divulgá-la, não faz parte do nosso objetivo. Por isso deixamos claro aqui que em todos nossos encontros a opinião e a divulgação dela é obrigatória para a participação no CINESURPRESA nem que seja um simples “Não gostei!” como até já aconteceu. Este é um espaço aberto de debate e de discussão de livre que permite todos os olhares e opiniões.

Esclarecimentos feitos os nossos participantes que viram o filme Jogos do Poder foram (em azul os novos): Caroline Desireé, Daniel Ravanelli, Daniel Trigo, Denival Oliveira, Eduardo Araújo, Eduardo Ricci, Guilherme Henrique, Isabella Schramm, Jéssica Indiara, Laura Pinheiro, Madeleine Alves, Márcia Okida, Mariana Benjamim, Osvaldo DaCosta, Ricardo Reis, Tássia Martins, Victor Martin, Viviana Ramos e Viviane Alves.

Dos 20 participantes 17 gostaram do filme, 2 não gostaram e 1 disse mais ou menos. Mas apenas 8 veriam o filme novamente. A média de nota dada foi de 7,2 o que coloca Jogos do Poder em 6º lugar no nosso Ranking Surpresa, ganhando apenas de Duro de Matar que ficou com média 7.

O filme em uma frase por cada um dos participantes:

Caroline: “Você pode gastar 1 bilhão de dólares com a guerra e não podem gastar 1 milhão para construir escolas”
Daniel Ravanelli: Política é poder
Daniel Trigo: “I want you” (Eu quero Você, por Tio Sam)
Denival: “Nós fizemos tudo certo, mas no final acabamos fazendo merda”
Eduardo Araújo: Jogos do Poder: resume todo o filme
Eduardo Ricci: O poder é regado a sexo
Guilherme: “Pode-se enganar muitos por pouco tempo, poucos por muito tempo, mas não pode-se enganar todos a todos tempo - Lincoln”
Isabella: Troca de favores
Jéssica: não respondeu esta pergunta
Laura: “No começo nós fizemos tudo certo, mas no fim, estragamos tudo.
Madeleine: Um bando de andorinhas só faz verão até quando lhes convêm
Mariana: Os americanos compram uma briga, mas só vão até onde é vantajoso para eles.
DaCosta: O Mestre Zen
Ricardo: A história nunca muda
Tássia: “No finalzinho sempre acaba em merda”
Victor: Não é o tipo de filme que me chama a atenção, pois não me entretive nem me fez ficar preso a ele.
Viviana: Tentamos fazer o melhor, mas no final sempre erramos um pouco
Viviane: pediu que não divulgássemos sua opinião.

A maioria das pessoas disse que o filme tem o clima da cor vermelha pelo poder, sangue, terrorismo ou amarela cor do ouro, riqueza, dinheiro etc. Também foram citadas as cores verde (pelo dólar), preto e cinza.
Gostaria de aproveitar aqui e deixar registrada a participação de Maria Benjamim que mesmo sendo acompanhante de umas das participantes, Mariana Benjamim, viu o filme e participou do nosso bate-papo dando suas opiniões sobre o filme. Obrigada, é disso que gostamos em nossos encontros.


Os pontos positivos do filme

Caroline: Fotografia, angulação, trilha sonora e atuações • Daniel Ravanelli: A inteligência emocional é fundamental nos jogos do poder • Daniel Trigo: A realidade mundial • As crianças mesmo dilaceradas pela guerra mantinham o ar de inocência e esperança • Denival:Eduardo Araújo: A esperança dos afegãos que mesmo em meio ao caos continuavam acreditando no fim da guerra • Eduardo Ricci: Julia Roberts • Guilherme: Trilha sonora, fotografia e atuação • Isabella: Conscientização sobre a situação que os afegãos estavam passando • Jéssica: A força de vontade do trio • Laura: A realidade da política americana e a fotografia • Madeleine: A atuação de Phillip Seymour Hoffman, a trilha sonora (mescla de ocidente com oriente) e a situação histórica • Mariana: O desejo do congressista em ajudar os afegãos • DaCosta: Não existe (no sentido de como o filme mostra a desgraça mundial, política e etc) • Ricardo: A infância comove o coração! • Tássia: Tom Hanks • Victor: A fotografia, a filmagem e as atuações • Viviana: O bom humor que aparece no filme descontraindo um tema tão sério

Já os negativos

Caroline: Enredo, roteiro, excesso de informação política o torna cansativo • Daniel Ravanelli: Não esclareceu o falo russo da história, seus motivos e objetivos • Daniel Trigo: A legenda • Denival: Fome e miséria • Eduardo Araújo: Um filme muito burocrático • Eduardo Ricci: Política americana • Guilherme: Dialógos e detalhes (muito detalhista) • Isabella: Um certo apelo sexual (muito exagerado! rs) • Jéssica: A realidade sobre a guerra, a fome • Laura: Muito diálogo • Madeleine: A rapidez com que algumas informações são transmitidas ao espectador • Mariana: O apelo sexual • DaCosta: A falta de humanidade • Ricardo: Excesso de diálogos — tem que entender de história — a guerra fria, Paquistão etc etc • Tássia: A guerra e o sofrimento alheio • Victor: A história e o desenrolar dela • Viviana: Ver o que muitos poderosos fazem contra os menos favorecidos, ou seja, uma guerra travada contra um povo que não tinha como se defender.

Jogos do Poder é um filme polêmico e como é baseado em um fato real, essa polêmica toda acaba mexendo demais com todos que assistem, pelo menos senti isso com quem conversei nesse encontro. E pensar que muita coisa foi deixada de lado e, mesmo assim, tentando encobrir detalhes, ele ainda choca alguns.

Gostei do filme, dei nota 8, é forte, impactante, mexe com nossos sentimentos, mas acima de tudo, me incomodou. Saí do filme com aquela sensação de que não fazemos tudo que podemos ou devemos, sensação de querer fazer mais, mas, sem saber como. Não sei se todos saem com a mesma emoção, troquei algumas idéias com o DaCosta e, pelo menos nós dois, compartilhávamos desta mesma sensação. Sobre frase sobre o filme que sempre pedimos para todos, a minha seria: o que não se faz em nome de Deus e da política... em nome da paz e da guerra e o pior o que só se faz quando o lucro é garantido mesmo que isso envolva morte, penúria, tristeza, mutilações, fome, miséria extrema etc.

Por que o homem, ou a maioria deles, principalmente aqueles que estão no poder, só se envolvem emocionalmente ao verem — com seus próprios olhos bem ao estilo São Tomé de ver para crer — crianças mutiladas, praticamente mortas, mas ainda com sorriso de criança. Uma cena no filme que me chocou bastante: os russos colocavam bombas escondidas em brinquedos de crianças para que, propositalmente, elas pegassem e, se mutilando, os pais seriam obrigados a ficar em casa cuidando delas e assim não iriam para guerra. Imaginar que isso possa passar, e passa, na cabeça de alguns é torturante. E esta cena, seqüência de fatos contados deste tipo, mexeu demais comigo, me emocionou bastante.

Diria que este filme, acima de tudo para mim, é um filme triste, e por ser real é amargamente mais triste ainda. E foram sobre temas assim os papos foram acontecendo no nosso encontro, a destruição causada pela guerra, os refugiados, os jogos de poder que são feitos pela politicagem para ajudar os refugiados afegãos, a politicagem em nome de Deus e tantas coisas mais. Mas ao meu ver o filme comete alguns erros como:
• os diálogos que são muitos, rápidos e longos, praticamente uma metralhadora de falas
• o excesso de informação política e histórica pode deixar a grande maioria das pessoas perdidas e por isso se torna cansativo e burocrático
• deviam ter mostrado mais como Charlie Wilson era na realidade — o que daria uma particularidade maior ao personagem e à sua luta. O filme mostra Charlie (Tom Hanks) como um bebebor inveterado e envolvido sempre com belas mulheres — o congressista só possui assistentes mulheres e as escolhe pela beleza e tamanho dos seios — mas fizeram isso de um modo leve. Charlie além de alcoólatra e usava cocaína. Seu problema com “problema” com drogas, bebida e mulheres era muito maior do que é mostrado no filme. Tudo bem quiseram encobrir um pouco, mas acredito que se tivessem mostrado claramente esse lado do congressista, isso teria dado mais particularidade e força ao personagem. Não entendam isso como um favorecimento as drogas, álcool etc. É somente uma colocação já que o filme pe baseado em fatos, pessoas reais e que inclusive você pode ver entrevistas delas no vídeo abaixo.



Mas mesmo assim, mostrando isso tudo de leve — não temos cenas de nudez, de sexo, extremas — o filme ainda choca alguns, alguns até de nosso grupo.

Desde nosso último encontro incluímos a seguinte pergunta aos participantes: Com que personagem você se indentificou?

Caroline: O jogador de xadrez, ajudante de Hoffman
Daniel Ravanelli: Com o jogador de xadrez, o estrategista
Denival: Com o Gust (Phillip Seymour Hoffman), quando acredita em alguma coisa vai até o final e enfrenta tudo e todos
Eduardo Ricci: com o agente da CIA (Phillip Seymour Hoffman)
Guilherme: Com o Gust, espião (Phillip Seymour Hoffman) pelo instinto e sensibilidade
Isabella: Com a secretaria do Tom Hanks, pelo profissionalismo durante o processo
Madeleine: Com o Gust (Phillip Seymour Hoffman) pela determinação, perseverança, sinceridade e prudência
Tássia: Charlie (Tom Hanks), pois é uma pessoa persistente, conseguindo as coisas que quer
Victor: Com a assistente que fazia com que o filme não fosse tão parado
Viviana: De certa forma com o Charlie (Tom Hanks), que ao presenciar uma realidade difícil se compadece e luta para mudar
DaCosta, Daniel Trigo, Eduardo Araújo, Jéssica, Laura, Mariana, Ricardo: Não se identificaram com nenhum personagem

Eu me identifiquei com dois personagens que aparecem uma única vez, mas que no momento da cena eram dois em um. Dois afegãos aparecem em um momento no filme onde, pela primeira vez, tem em suas mãos uma arma capaz de destruir os aviões russos e, nossa, como torci por eles para que acertassem o tal avião. Com certeza eu seria um daqueles dois afegãos ou os dois até. Algumas pessoas se chocaram por eu ter falado isso, mas naquele momento do filme eu já estava tão tomada de uma sensação de dor, de absurdo, de raiva etc que era só poderia querer algo assim. E olha que sou uma pessoa super da paz!!!



E por isso mesmo que não veria esse filme de novo. Incomodou-me demais.
Mas indico, recomendo inclusive se quiser leia uma ótima crítica sobre esse filme clicando aqui. Precisamos devemos conhecer essas histórias, sentir de perto e, se já conhecemos, devemos não esquecer, para tentar, ao nosso modo ajudar quem podemos e como podemos. Saí deste filme assim: com nojo dos Jogos de Poder que existem para que a paz seja alcançada e que, mesmo assim, no final descobrem que fizeram m.....!

É isso aí gente! Como sempre mandem palpites, opiniões e participem do nosso próximo encontro que será dia 13 de abril as 18h no Cinemark de Santos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

meu nome não é johnny

Neste nosso 6º encontro do CINESURPRESA, dia 13 de janeiro de 2008, tivemos mais gente nova: Caio França, Jessica Gandara, Julio Margonari, Mateus Bueno e Viviane Pereira que se juntaram a turma que já participou outras vezes: Alexandre Barbosa - “Bar”, Danielle Escrivão, Deborah Okida, Eduardo Ricci, Fabio Machado, Madeleine Alves, Priscila Rodrigues, Ricardo Reis, Wellington Carbone e eu Márcia Okida. Mais uma vez sentimos falta de Eddie e Letícia que não puderam comparecer e que praticamente já tem cadeira cativa no CINESURPRESA.

Todos gostaram do filme e das 15 pessoas que estavam nesta nossa 6ª edição, somente 3 não veriam novamente: Bar, Ricardo e eu!
A média de nota dada para “Meu Nome não é Johnny” foi 8,6 o que deixa este filme no 3º lugar de nosso Ranking Surpresa.

O papo que rolou depois do filme entre pizzas, refrigerantes e cervejas abordou vários temas que o filme traz para discussão entre eles:

• o fato dele ter sido criado sem limites, isso fica bem claro no filme, facilitou para que se tornasse um jovem despreparado e que vivesse sem regras, sem entendimento correto do que seria certo ou errado. Será? Tenho minhas dúvidas e muitas. Sempre acho que colhemos aquilo que plantamos em nossas vidas. Um detalhe: no cartaz do filme (que acho ótimo diga-se de passagem) está escrita a frase: “Ele tinha tudo, menos limite.”

• rolou um debate sobre o fato dele ter ou não agido de forma criminosa, ou melhor, com essa consciência. Na minha opinião, um homem na idade dele não compra, usa e revende drogas achando que está vendendo balas... ele agiu sim de maneira criminosa e pouco importa se foi criado sem limites ou não.


• outra questão que esquentou os ânimos foi a possibilidade dele não ter sido levado diretamente e só para a prisão, por ser branco. Alguns colocaram que se ele fosse negro, talvez, não tivesse sido mandado para um manicômio e por tão pouco tempo. Uns concordam outros discordam. Eu concordo, infelizmente existe preconceito e penso que se ele fosse negro o “seu fim” seria outro. Mas e você o que acha?

• falamos sobre o choque de realidades: o antes e depois da prisão/manicômio e de como todo o nosso sistema ainda é falido.

Esses debates fizeram com que duas enquetes fossem criadas na hora.

Quem concordava que ele deveria ter sido mandado para manicômio e quem achava que ele deveria ter ido para a prisão?
Das 15 pessoas, 2 não concordam com o fato dele ter ido para o manicômio e por tão pouco tempo. Os outros concordam e acham que somente deste modo ele teve chance de se recuperar.

A outra enquete surgida na hora foi: Você torceu por ele?
12 pessoas torceram por ele e 3 não.


E o que mais cada um do grupo pode dizer deste filme?

Qual foi a pior coisa no filme?

Bar: o incentivo ao erro • Caio: viver perigosamente • Deborah: a realidade dos sistemas carcerários • Eduardo: cocaína • Fabio: a glamourização da droga e tratar o personagem como coitadinho da metade para o fim do filme • Jessica: o sofrimento causado pelas suas atitudes • Mateus: a realidade • Priscila: deveria haver uma melhor exploração sobre o nome do filme Johnny • Ricardo: o pó branco • Viviane: a angústia que dá ver o submundo das drogas • Wellington: a infeliz mania maniqueísta dos roteiristas brasileiros se exacerbar em um marketing desnecessário.
• Danielle, Julio e Madeleine: não comentaram

Eu acho que, por mais que exista uma campanha em volta deste filme que fale contra as drogas, percebi e senti nesse filme o contrário. O mundo das drogas mostrado no filme acaba mal sim, mas é um mundo que muitos jovens buscam hoje em dia: grandes badalações, popularidade, carros, mulheres (ou homens) e tudo isso acontece muito fácil neste filme. Acho que ele mais promove as drogas do que o contrário. Estou com o Bar: ele incetiva o erro. Quanto ao roteiro, no início é um pouco arrastado, momentos repetidos demais, iguais, desnecessários até. Chega a cansar um pouco.

E qual a melhor coisa deste filme?

Bar: a produção e a fotografia • Caio: a mensagem de que o crime não compensa • Danielle: retrato da corrupção policial • Deborah: Selton Mello • Eduardo: a “Sofia” • Fabio: atuação do Selton Mello, o uso do humor em situações inesperadas e o bom uso da trilha sonora • Jessica: ele era o centro das atenções • Julio: a história dele • Madeleine: a trilha sonora que tem tudo a ver com a vida do personagem e a introdução de sacadas de videoclipe como soluções visuais da narrativa • Mateus: a verdade • Priscila: a atuação de Selton Mello, a filmagem do personagem principal e sua família parecendo antigo, e uso do humor • Ricardo: todo ser humano tem o direito à uma segunda chance • Viviane: o roteiro, sem sacado, que soube colocar com maestria comédia no drama • Wellington: nada como ver a indústria cinematográfica nacional se reerguendo cada vez mais.

Para mim as melhores coisas do filme estão relacionadas a fotografia e direção e arte, que é perfeita, desde os detalhes mínimos de figurino até o cuidado com os carros serem todos de época. O início, e sempre que o filme mostrava cenas da infância de João Estrela, parecia que estávamos realmente assistindo a um filme Super 8 antigo. Também vale um ouvido especial para a trilha. O roteiro acerta ao colocar humor no filme em pitadas. Onde mal se esperaria a comédia ela aparece na quantidade certa e com qualidade. Perfeito. E lógico não posso esquecer que uma das melhores coisas do filme é o Selton Mello também :) .

Bem e deixa eu falar de uma coisa que adoro: créditos iniciais ou finais e cartaz do filme. O cartaz do filme é ótimo, já até falei isso acima, e para quem gosta de design vale a pena ter um em casa, e ele condiz perfeitamente com a estética que a direção de arte buscou nesse filme. Os créditos, apesar de simples, são bem feitos, as letras são com o pó da cocaína voando e repare que eles mudam no final do filme. Simples mas bonito e funcional.

O filme em uma frase?
  • “Ele viveu o máximo e pagou o preço” - Bar
  • “Realista com toques de ironia e um pouco de comédia sem fugir do drama” - Caio
  • “Sem hipocrisias” • Danielle
  • “Todos tem como melhorar” • Deborah
  • “A vida é uma raposa” • Eduardo • Julio
  • “Céu, inferno, purgatório e redenção numa versão classe-média carioca” • Fabio
  • “Viva pouco, ande rápido” • Jessica
  • “O que ocorre quando se perde a noção por si mesmo” • Madeleine
  • “Observar o todo” • Mateus
  • “Não se vive 3 vezes” • Ricardo
  • “Enquanto há vida há esperança” • Viviane
  • “A realidade retratada em diferentes submundos pode sim ter um final feliz” • Wellington
Eu fico com “a vida é uma raposa”, ou uma frase que me veio agora usada em um texto sobre Van Gogh onde ele diz que vive tentando se encontrar no imenso labirinto que é a vida. Vejo por aí: a vida é uma raposa ou um labirinto onde alguns acham seu caminho e seguem em frente como que revigorados, outros se perdem e tem uma volta dura e triste enquanto outros se perdem para sempre.

Bem, esse foi nosso 6º encontro do CINESURPRESA, e esperamos você no nosso 7º encontro que será no 2º domingo de fevereiro, dia 10, dessa vez nos encontraremos as 18h no Espaço Unibanco, do Shopping Miramar em Santos.

E já sabe: não concorda com algo, quer mandar sua opinião? Fique a vontade é para isso que estamos aqui.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2008

6º encontro - 13 de janeiro

Chagamos ao nosso 6º encontro - o 1º encontro do ano - será no Cinemark - do Shopping Praiamar - Santos — e como sempre as 18h. É importante chegar na hora porque pode ser que a sessão escolhida na hora seja das 18h10, então cheguem pontualmente as 18h ok! Um abraço em todos e até domingo dia 13 de janeiro de 2008